A Sereia de Mongaguá | Espere o inesperado… e o bizarro.

Ninguém disse que na hora que você senta em frente a um papel em branco o resultado tem que ser épico e histórico. Nem eu escrevendo aqui para o QLivros e nem os escritores e desenhistas que criam seus livros e HQs. Algumas vezes, a única coisa que se precisa é de diversão, e A Sereia de Monguaguá faz exatamente isso.

Curto, rápido e indo direto ao ponto, a história criada pela dupla Thiago Moraes Martins e Marcos Paulo Marques é uma loucura sem tamanho. Começa com uma aspirante a atriz tentando um papel e termina… bom termina com tantas surpresas a cada virada de página que é melhor arrumar um tempinho para ler.

Em poucas palavras, A Sereia de Mongaguá conta no “elenco” com um taxidermista esquisitão que empalha bichos em situações bizarramente cotidianas, uma cega com uma filha perdida, um clarividente que lê o futuro das pessoas em suas tatuagens espalhadas pelo corpo, uma hipnotizadoras burlesca que usa suas “ferramentas” para colocar os outros em transe e um diretor completamente bêbado e doido. Tudo isso junto em uma trama divertida e ágil.

Prato cheio para quem gosta de filme B, sangrentos e caras de pau. Um clima que parece conversar com o cinema de terror dos anos 40 e 50, que se permite o exagero e está pouco se lixando para finais felizes e quer mesmo é surpreender, e nesse caso com algumas páginas de um gore que fará o fãs do gênero delirarem.

A Sereia de Mongaguá

Essa agilidade da trama, em parceria com uma certa simplicidade, combina perfeitamente com o estilo do desenho. Rápido, estilizado e direto, que parece brincar com alguns desenhos animados clássicos ao invés de ser moderno (Thiago Moraes trabalhava na MTV com a animação Fudêncio e seus Amigos que já fazia isso). Um visual que ainda resolve bem as referências visuais, aposta em um humor plástico bizarro e leva em frente uma ideia maluca que, no final das contas dá muito certo.

Um exemplo de que o atual momento dos quadrinhos nacionais não é um ilusão, mas sim uma realidade, já que permite que obras como A Sereia de Mongaguá, que poderiam morrer antes de ganhar vida já que conversa com um público extremamente específico, seja lançada e até chega a lugares e pessoas que não imaginariam um espetáculo tão maluco, bizarro e divertido como esse.

O crítico leu um exemplar cedido pela Tatoomics
tatoomics-ad

A Sereia de Mongaguá Book Cover A Sereia de Mongaguá
Thiago Moraes Martins e Marcos Paulo Marques
Veneta
2016
80

Uma aspirante a atriz precisa da ajuda de um taxidermista para realizar um sonho, isso enquanto um diretor de cinema busca uma hipnose burlesca e um médium prevê o futuro através de suas tatuagens. E isso é só o começo dessa loucura toda.