Astronauta – Magnetar

Um bom começo pra Graphic MSP

Astronauta – Magnetar começa a série com grande estilo, mas é impossível não comparar com o que Danilo Beyruth poderia ter feito

Por si só, é impossível não ficar empolgado com cada um dos lançamentos da série Graphic MSP, afinal, são aqueles personagens com os quais você passou sua infância agora repensados por alguns dos nomes interessantes do mercado de quadrinhos da atualidade. Mas passado a excitação do primeiro momento, o que sobra em alguns casos é bem aquém das possibilidades. Astronauta – Magnetar não foge disso.

Não que a primeira das graphic novels do selo, escrita e desenhada por Danilo Beyruth, seja ruim, bem longe disso até. O problema real é que ela só não é tão grandiosa e enorme quanto deveria. “Mas ai você está criticando algo diante daquilo que ela poderia ser e não diante daquilo que é, seu pretensioso metido a besta!”, OK, você está certo, meu intrépido leitor, mas se tirarmos a possibilidade da série de ser muito mais do que ela já é, então para que perder tempo fazendo-a?

Talvez apenas para termos a possibilidade de vermos o rechonchudo e simpático Astronauta ganhar uma roupagem bem mais instigante pelo traço de Beyruth, o que já seria suficiente para muitos, mas ainda assim falta a vontade de desconstruir melhor aquilo que ele poderia se tornar.

Astronauta - Magnetar é um bom começo pra Graphic MSP, mas tropeça em alguns pontos.

De modo simples, Maurício de Souza já pensava nesse mesmo Astronauta absorto em sua solidão desde suas primeira histórias, e ainda que encarasse isso com uma leveza mais infantil e um discurso muito menos denso, em nada perde para o Magnetar de Beyruth. A diferença é que Beyruth fez a lição de casa, e o pai da Mônica sempre lidou com o personagem com um preguiça narrativa que lhe é característica.

Beyruth então coloca seu Astronauta em meio a uma série enorme de tecnicidades, nomes complexos e detalhes astronômicos, mas, em resumo, faz com que seu personagem se torne uma espécie de náufrago estelar depois que a explosão desse tal de Magnetar impede sua nave de alçar voo. Por sorte, Beyruth parece extremamente confortável com o personagem e com o visual, o que resolve qualquer problema narrativo com páginas e mais páginas de um arte que já vale a compra.

No meio disso tudo Magnetar ainda tem um ápice que demonstra exatamente os limites que a série de “recriações” poderia ter, já que Beyruth ruma quase para um filme de terror psicológico arrepiante e pesado (a sequência das repetições dos quadrinhos e a insanidade do personagens são incrivelmente bem construídas!), uma opção discrepante diante do resto do livro, com seu começo meio arrastado e um final preguiçoso e às pressas.

O miolo de Astronauta - Magnetar é uma obra prima. A série de repetições feita por Beyruth é incrível.

De cara, enquanto Bayruth se esforça para posicionar seu personagem dentro da trama, perde tempo demais explicando tudo aquilo que todos estão vendo nos quadrinhos. Isso, combinado a uma verborragia técnica que parece esforçada demais em tentar explicar cada parafuso, porca ou defeito que exista naquele universo. E passear pelo passado bucólico do Astronauta só mostra o quanto ele não parece fazer a mínima ideia de onde começar, já que bastaria o meio flashback, meio delírio, lá pra frente na história para resumir a profundidade do personagem, o que resultaria em uma história muito menos linear e mais madura, adulta e sensível.

Adjetivos que também poderiam estar no final preguiçoso e apressado. Como se o ápice de Magnetar tivesse ficando tão complexo, profundo e interessante que a única solução possível pudesse passar por uma solução pobre. Um “salto de fé” que tem mais cara é de “Deus ex machina”.

Enfim, bem pouco perto dos fronteiras cósmicas que esse Astronauta poderia singrar.

Astronauta - Magnetar Book Cover Astronauta - Magnetar
Astronauta - Magnetar
Danilo Beyruth
2002

Danilo Beyruth estreia a série com uma releitura ousada e filosófica de um dos mais famosos personagens de Maurício de Souza, o Astronauta. Uma aventura espacial.