Astronauta: Singularidade

Astronauta: Singularidade – Um bonito lugar comum

Personagem cósmico de Maurício de Sousa volta em segunda Graphic MSP, mas acaba empolgando menos

Antes de qualquer coisa é preciso que se diga que o projeto das Graphic Novels da MSP – Mauricio de Sousa Produções – é fruto de um trabalho cada vez mais necessário no mercado editorial brasileiro de quadrinhos: o trabalho de um verdadeiro editor. Atualmente, Sidney Gusman, responsável pelas Graphics MSP, é quase uma unanimidade entre os artistas do que deveria ser o papel de um editor de quadrinhos. Devo dizer que concordo plenamente.

Gusman sabe descobrir, escolher, contratar e estimular desenhistas e roteiristas como poucas pessoas num mercado onde os egos costumam ser maiores do que as obras em si. Isso fez da coleção de graphics da Turma da Mônica um sucesso ainda maior do que algumas outras frentes de trabalho do próprio Mauricio de Sousa.

Assim, é com certo pesar que constato que nem tudo funcionou como deveria nesta ousada iniciativa. É o caso de Astronauta: Singularidade, de Danilo Beyruth, um maduro craque dos pincéis, capaz de uma arte de encher os olhos. Pena que sua capacidade como roteirista não seja a mesma que como desenhista.

Acho que a arte desse segundo volume do Astronauta está até melhor do que a do primeiro, com páginas dignas de serem enquadradas (3, 40, 44, 58… só para citar as minhas preferidas) e a absurda nave esférica do personagem ganhando a qualidade impressionante de ser crível, num universo muito mais realista do que o original criado por Mauricio de Sousa.

Astronauta: Singularidade

Mas, na minha opinião, as boas coisas deste trabalho param por aí.

O roteiro é cheio de clichês: do previsível envolvimento romântico do Astronauta com a médica que foi contratada para avaliá-lo, passando pelo major norte-americano obcecado pela tecnologia alienígena até o desfecho banal; falta a criatividade apresentada no primeiro volume.

Partindo do princípio que não só os fãs do personagem, mas obviamente os fãs de histórias de ficção científica, sejam elas em quadrinhos ou não, são o público alvo dessa graphic; podemos dizer que Beyruth erra ao partir para a facilidade dos clichês. Todo fã de ficção científica razoavelmente versado nas obras principais do gênero, vai não só identificar antecipadamente as “surpresas” da história, como se decepcionar em constatar que estava absolutamente certo.

Sem falar na necessidade antipática do autor em ser didático. Talvez, tenha faltado em sua formação a leitura de autores como Jim Starlin, por exemplo, que fez de seus Warlock, Dreadstar e Thanos, personagens de sagas cósmicas espaciais sem chatice pseudo-científica.

Claro que não serei leviano em afirmar que Danilo Beyruth ficou com preguiça de colocar um roteiro melhor em volta de seus belos desenhos. Mas, a impressão que se tem ao término da leitura é que o personagem se esgotou nessa nova abordagem.

Assim, a pergunta que fica, realmente, é se teremos um terceiro volume com o mesmo artista. Se assim for, talvez seja o momento do editor Sidney Gusman arranjar um bom roteirista para fazer dupla com Beyruth. Caso contrário, cairemos na armadilha de ter tanta “singularidade” visual transformada em nada mais do que um banal lugar comum.

Astronauta: Singularidade Book Cover Astronauta: Singularidade
Graphic MSP - Astronauta: Singularidade
Danilo Beyruth
2013
80 páginas

Herói cósmico de Maurício de Sousa volta em mais uma aventura criada por Danilo Beyruth, dessa vez frente a frente com um misterioso buraco negro.