Rittes de Quinta | Páginas molhadas

O sexo sempre foi uma das coisas mais fascinantes para o ser humano e, ousaria dizer, continua sendo. Basta ver o quanto ainda discutimos sobre questões de gênero, por exemplo. Sendo assim, a literatura não poderia ficar de fora dessa. Narrativas eróticas são tão antigas quanto a humanidade, mas foi o Renascimento que “descobriu” que as histórias picantes podiam se transformar em literatura. É claro que, bem antes disso, o erotismo já tinha sido tema de livros como Satíricon, de Petrônio e Decameron, de Giovanni Bocaccio, dois dos pioneiros a abordar o tema.

John Cleland é considerado o primeiro autor a fazer um livro moderno sobre isso com Fanny Hill: Memórias de Uma Mulher de Prazer, em meados do século XVIII. A prova da perenidade do assunto é que o livro é editado até hoje.

Claro que não faltam clássicos dos mais diversos, do Kama Sutra à Autobiografia de Uma Pulga (Stanilas de Rhodes), passando pelos livros de Ovídio, Sade, Restif de La Bretonne e outros, mas deixo aqui as minhas indicações – além de todas as já citadas -, sempre avisando que se trata de uma lista particular:

O sofá (Crébillon Fils)
Neste romance no mínimo inusitado o narrador é ninguém menos do que um sofá! Com a descrição de todo tipo de encontro sexual, o livro, no entanto, pode até ser classificado como moralista. Uma de suas famosas máximas é a de que “o libertino é, antes de tudo, um impotente!”

O Amante de Lady Chaterlley (D. H. Lawrence)
Obra clássica que rompeu com os padrões morais da época ao descrever a relação entre uma mulher nobre e um empregado em detalhes crus. Menos erótico e mais uma história de paixão e amor, o livro sempre merece uma leitura sem preconceitos. Recomendo e recomendo novamente.

A História do Olho (George Bataille)
Dois jovens descobrindo o sexo em suas mais variadas formas. Assim pode ser descrito este livro que, desde sua primeira publicação, em 1928, angariou a admiração de gente como Michel Foucault, Roland Barthes, Mishima e tantos outros. Precisa dizer mais?

Delta de Vênus (Anaïs Nin)
Escritas sob encomenda para um cliente chamado somente de “O colecionador”, as histórias deste volume foram feitas quase todas durante os anos 40. São relatos realistas de prostitutas e seus clientes, amantes possessivos e estranhos, tudo na prosa elegante que caracterizam a autora.

Sexus, Plexus e Nexus (Henry Miller)
Três livros em um, todos com a marca do autor nas descrições das relações sexuais sem metáforas. Essenciais para quem quer conhecer a obra de Miller, podem ser lidos separadamente. Se assim optar, prefira os dois primeiros.

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A Entrega: Memórias Eróticas (Toni Bentley)
Ancorado nas memórias da autora, o livro fala de apenas um tipo de relação sexual: a anal. Por isso, pode não agradar a todos, mas seu teor erótico é indiscutível. Recomendo.

Vox (Nicholson Baker)
Basicamente uma conversa telefônica, o erotismo de Vox está na capacidade de as palavras evocarem imagens e ideias excitantes. Interessante e de leitura rápida, pode ser considerado um clássico do erotismo pós-moderno.

Amêndoa: Um Relato Erótico (Nedjma)
Às vezes delicado, outras melancólico e até brutal, este livro fala de uma relação sexual num país reconhecidamente exótico, o Marrocos. Além disso, fala sem reservas da intimidade de uma mulher muçulmana, coisa raríssima nesse tipo de literatura.

Manual de Civilidade Destinado às Meninas Para Uso nas Escolas (Pierre Louys)
Escrito para ser uma paródia, este livro ataca de forma destruidora o puritanismo burguês, chegando mesmo a ser chulo e grosseiro algumas vezes, mas sempre divertido. Escrito em 1917, mas só publicado dez anos depois, inclusive também após a morte de Louys, continua sendo um clássico da devassidão.