Richard Matheson: Um mestre quase esquecido

Homenageado em séries como Arquivo X e games como Silent Hill, Richard Matheson é um nome que merece estar sempre em evidência quando o assunto é terror, ficção científica e fantasia. Falecido em 2013 aos 87 anos, Matheson, no entanto, não tem a devida reverência das novas gerações, embora seu trabalho seja muito conhecido.

Autor de inúmeros contos, muitos deles adaptados para cinema e tevê, além de quase 30 romances e várias coletâneas, Matheson marcou seu caminho na ficção com uma prosa fluida e criativa, capaz de dar veracidade a enredos absurdos como um mundo dominado por vampiros ou um homem que encolhe até desaparecer.

Nome quase obrigatório na televisão norte-americana dos anos 60 e 70, Matheson influenciou escritores como Stephen King, Dean Koontz, Peter Straub, Michael Crichton e outros. Sua inventividade aparentemente sem limites rendeu clássicos como “Eu Sou a Lenda”, sempre refilmado e Encurralado, o primeiro filme de Steven Spielberg a chamar a atenção da crítica.

Nem por isso Richard Matheson parece ser reconhecido pelos mais novos. Talvez, suas histórias elaboradas e, muitas vezes, surpreendentes, já não tenham mais o mesmo apelo em tempos onde a explicitação é regra. Nos dias de hoje, com raras exceções, os livros de terror, mistério, fantasia ou ficção científica se espelham no cinema. São quase sempre obras rasas, onde o trabalho do leitor é mínimo.

Talvez, Matheson seja mesmo desprezado pelas editoras, que vivem reimprimindo Eu Sou a Lenda, por exemplo e se esquecem das outras dezenas de títulos como “Shadow on the Sun”, “Camp Pleaseant”, “Ride the Nigthmare” e tantos outros.

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Matheson cria situações e enredos que exigem um mínimo de interação com o leitor, principalmente para se comprar a ideia inicial, quase sempre beirando o absurdo, como em um de seus contos mais famosos, A Caixa, onde um desconhecido promete fortuna para quem apertar um determinado botão numa caixa. O detalhe é que, ao fazer isso, quem aperta o botão condena um desconhecido à morte.

Mesmo seu trabalho mais conhecido (Eu Sou a Lenda) traz a marca da inventividade, uma vez que tendo sido escrito em 1954, revisita o tema do vampiro clássico de Bram Stoker com pinceladas apocalípticas que vão reverberar até hoje em The Walking Dead e Mad Max, por exemplo. Com o mérito, ainda, de ter sido um dos primeiros a pensar no tema sob uma perspectiva absolutamente nova; como no caso da HQ 30 Dias de Noite (2002, IDW), uma ideia tão boa que poderia ter saído da cabeça do próprio Matheson.

No Brasil, Matheson é mal aproveitado pelas editoras, tendo apenas edições de Eu Sou a Lenda (por várias editoras e com pelo menos uma edição bem-feita pela Aleph); A Casa Infernal (Hell House); Em Algum Lugar do Passado; Amor Além da Vida; O Incrível Homem que Encolheu (que inclui contos famosos como A Caixa, Encurralado e Pesadelo à 20 mil pés, por exemplo); Outros Reinos e Fúria no Domingo (este já esgotado e fora de catálogo). É muito pouco para um verdadeiro mestre e menos ainda para os leitores que o admiram…