Turma da Mata: Muralha

Sem fofura, mas nem por isso mais maduro

Jotalhão e seus amigos embarcam em HQ de ação com melhor desconstrução da Graphic MSP

O penúltimo lançamento da segunda fase do selo Graphic MSP, Turma da Mata: Muralha, talvez seja o menos infantil da série, principalmente no sentido de não ser uma história com a preocupação de parecer “fofa”… se é que me entendem. E, por isso mesmo, é uma das que mais se aproxima do trabalho original de Mauricio de Sousa. Isso pode parecer um contrassenso, mas não é.

Artur Fujita é um roteirista experiente, criativo e que, aparentemente, se diverte muito com tudo o que faz. Vindo das HQs independentes – junto com os amigos Davi Calil, Julia Bax e Roger Cruz –, parece ter sido o homem certo para dar um tom mais realista a personagens como o elefante Jotalhão, Raposão, Rita Najura, Luis Caxeiro, Coelho Caolho e outros.

Respeitando muito a concepção histórica dos personagens, Fujita trama um enredo cheio de ação com pitadas de política, que sempre estiveram presentes nas histórias da Turma da Mata de Mauricio. Apesar disso – e do que afirmei no primeiro parágrafo –, considero este álbum o mais infantil, uma vez que boa parte dos argumentos “bonitinhos” de muitas HQs deste selo, no fundo, só podem ser bem apreendidos por adultos – justamente os mesmos que foram as crianças leitoras de Mauricio nas décadas de 70 e 80.

A “política” por trás de Turma da Mata: Muralha também não atrapalha essa ideia: é apenas a suficiente para dar verossimilhança a aventura. Como, diga-se de passagem, acontece em muitos desenhos animados de Walt Disney; este sim o verdadeiro mentor intelectual de Mauricio de Sousa.

Turma da Mata: Muralha

A arte de Roger Cruz é dinâmica, rápida e com visões autorais muito interessantes. É fácil perceber o tempo gasto na criação do visual de cada personagem. Tudo embalado num desenho de linhas soltas, que engana na sua aparente falta de acabamento. Perfeito para uma aventura cheia de cenas de batalha, onomatopeias gigantes e algumas páginas sem texto.

Já a cor do genial Davi Calil é a “cereja do bolo”. O cara é uma fera! Usa praticamente todo tipo de material que lhe cai nas mãos e ainda é extremamente competente na hora de finalizar as páginas no computador. Cada quadrinho é quase uma aula de arte sobre o que se fazer com as cores. Realmente, fantástico e belíssimo trabalho.

O único aspecto que pode ser apontado como negativo é que alguns leitores podem achar que o realismo “exagerado” de personagens, como o Coelho Caolho, por exemplo, tenha deturpado totalmente o conceito original. Mas, mesmo esses, devem se lembrar que a proposta da série de Graphics MSP é dar uma roupagem totalmente nova para verdadeiros ícones dos quadrinhos brasileiros. Nisso, sem dúvida, este título é um dos mais bem-sucedidos.

Por isso, acho que o grande acerto de Turma da Mata: Muralha foi mesmo ter entregue o gibi nas mãos de uma outra turma tão talentosa e afinada quanto esta (Fujita, Cruz e Calil). Mais um ponto para o editor Sidney Gusman e, claro, Mauricio de Sousa.

Turma da Mata: Muralha Book Cover Turma da Mata: Muralha
Graphic MSP
Artur Fujita, Roger Cruz e Davi Calil
2015
82

Um metal precioso coloca Jotalhão e seus amigos em uma luta contra o Reino Leonino. Nova edição da Graphic MSP escrita por Artur Fujita e desenhada por Roger Cruz.